1,2,3,4,...
deixei de respirar.
rasgaste-me a pele do umbigo. rompeste-me as vísceras e subiste os teus dedos até ao estômago. agarraste-me nos restos de comida misturada há muito com saliva e com todo o ácido que consegui produzir, e revolveste-os. subiste-me pela laringe e, aí, desviaste-te para a traqueia e, com apenas os dois dedos com que decerto já pegaste num cigarro, assim, levemente, apertaste-a, deste-lhe um jeitinho...
não morri, mas deixei de respirar.
uma rua vazia esperava por nós todas as tardes. depois das aulas. caminhávamos. tu, eu e a tua bicicleta. era tudo novidade para mim. e não gostava daquelas ruas. mas não dizia nada. era tudo novidade para mim. olhámos para todos os lados, tentando não encontrar olhos curiosos. antecipamos, assim, o nosso primeiro beijo. naquele canto. era tudo novidade para mim. e foi sempre assim: eu, tu e a tua bicicleta.
depois, e de repente, ela morreu. morreu tudo o que havia em mim também. morreste-me.
não morri, mas deixei de respirar.
cheguei
ansiosa por tudo o que me ias dar.
uma flor, um beijo, uma cor, um calor. um amor. para sempre. um amor.
não estavas.
quase morri, deixei de respirar.
fomos à praia, que dia tão belo, o sol, o pôr do sol, as cores do céu e as cores do céu reflectidas na água. o cheiro da areia em nossos pés, os riscos que nela fizemos.
mergulhámos juntos, sentimos a frescura que a água nos dava. o crepúsculo. acariciaste-me os cabelos debaixo de água, tomáste-os todos na tua mão e, suavemente, fizeste-me descer contigo. beijámo-nos leve e profundamente. depois subiste, retomaste o fôlego e voltaste para junto de mim. beijáste-me outra vez. voltaste a subir, suavemente, sempre suavemente. suavemente continuavas a acariciar os meus cabelos debaixo de água, esticavas gentilmente os braços para que nem um pouco de ar me chegasse aos pulmões. e eu, lá em baixo, começara a espernear, como uma rã em delicado desespero. até à última bolha de ar que me saiu. e ali me deixaste.
não morri, mas deixei de respirar.
saltitei, vi-te, sorri, olhei-te, ri, escrevi, corri.
não morri
e já não sei como se respira...
rasgaste-me a pele do umbigo. rompeste-me as vísceras e subiste os teus dedos até ao estômago. agarraste-me nos restos de comida misturada há muito com saliva e com todo o ácido que consegui produzir, e revolveste-os. subiste-me pela laringe e, aí, desviaste-te para a traqueia e, com apenas os dois dedos com que decerto já pegaste num cigarro, assim, levemente, apertaste-a, deste-lhe um jeitinho...
não morri, mas deixei de respirar.
uma rua vazia esperava por nós todas as tardes. depois das aulas. caminhávamos. tu, eu e a tua bicicleta. era tudo novidade para mim. e não gostava daquelas ruas. mas não dizia nada. era tudo novidade para mim. olhámos para todos os lados, tentando não encontrar olhos curiosos. antecipamos, assim, o nosso primeiro beijo. naquele canto. era tudo novidade para mim. e foi sempre assim: eu, tu e a tua bicicleta.
depois, e de repente, ela morreu. morreu tudo o que havia em mim também. morreste-me.
não morri, mas deixei de respirar.
cheguei
ansiosa por tudo o que me ias dar.
uma flor, um beijo, uma cor, um calor. um amor. para sempre. um amor.
não estavas.
quase morri, deixei de respirar.
fomos à praia, que dia tão belo, o sol, o pôr do sol, as cores do céu e as cores do céu reflectidas na água. o cheiro da areia em nossos pés, os riscos que nela fizemos.
mergulhámos juntos, sentimos a frescura que a água nos dava. o crepúsculo. acariciaste-me os cabelos debaixo de água, tomáste-os todos na tua mão e, suavemente, fizeste-me descer contigo. beijámo-nos leve e profundamente. depois subiste, retomaste o fôlego e voltaste para junto de mim. beijáste-me outra vez. voltaste a subir, suavemente, sempre suavemente. suavemente continuavas a acariciar os meus cabelos debaixo de água, esticavas gentilmente os braços para que nem um pouco de ar me chegasse aos pulmões. e eu, lá em baixo, começara a espernear, como uma rã em delicado desespero. até à última bolha de ar que me saiu. e ali me deixaste.
não morri, mas deixei de respirar.
saltitei, vi-te, sorri, olhei-te, ri, escrevi, corri.
não morri
e já não sei como se respira...


6 Comments:
At 8:07 p.m.,
.......... said…
este não percebi...
At 2:44 p.m.,
éme said…
5 pessoas diferentes/5 momentos diferentes. ordem cronológica.
At 10:08 p.m.,
blobberblogger said…
adoro.
nao um adoro de um kker miúdo k recebe uma prenda k pediu ao pai natal e saltita de alegria.
nao um adoro de um kker critico k fala do alto da sua suposta experiencia a avaliar coisas alheias.
nao um adoro de kker tia que se refere a uma marca k lhe é particularmente querida.
nao é um adoro cm tds os outros, é um adoro, daqueles k saem dps de suster a respiração durante a leitura, esquecer de respirar e nao morrer.
At 8:20 p.m.,
João said…
Gostei muito do ritmo, é genial a repetição da frase "não morri mas deixei de respirar", em jeito de refrão. O momento em que a frase se repete é muito bem escolhido, gostei do ritmo acelerado que provocas na leitura, cria a sensação real de falta de ar e aí, como a cereja em cima do bolo, vem a frase repetida.
Muito bom mesmo.
A praia... fez-me lembrar a de Monte Gordo, é que por muitas que visite, esta será sempre a referência.
At 10:30 a.m.,
éme said…
n tem muito a ver com isto, mas gostava de registar que ontem estive com o 2. e fiquei contente. senti-me bem :) obrigada!
At 1:21 p.m.,
éme said…
joão,
obrigada por teres participado. fiquei contente =)
quando penso numa praia, o meu ponto de partida é sempre a praia de monte gordo, antes do pôr-do-sol. naquela hora em que, tanto no outono como na primavera, não há quase ninguém. em que podemos caminhar sobre a areia e seguir as pegadas de cada pessoa que por lá tenha passado nesse dia.
é essa a minha praia.
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