as crónicas da pulga

4.1.05

como se vai para singapura

"Desabituei-me dos milagres. Sabe-se como é: quase todas as manhãs acordo angustiado, esforço-me por imaginar que este dia é virgem e primeiro, carregado de poderes enigmáticos, destinado às revelações. Literatura. Merda. Trata-se de mais um dia em que vou chatear, aturar os meus semelhantes, a filha-da-putice teológico-emocional de um Deus que, ainda por cima, não existe. Posso especular sobre a revolução, evidentemente. Que revolução? A revolução, claro. Pois é: a minha revolução não dá um passo."

Os Passos em Volta
Herberto Helder

1 Comments:

  • At 4:45 p.m., Blogger éme said…

    era só para recomendar este livro. há quem ache o nome do 'poeta'
    muito pimba (e de pimba basta eu, por agora). ok, pode ser pimba. mas nunca o serão as suas palavras se esse não for o sentido de as escrever. "morrerei como se fosse uma retrete de paris - só, com a minha visão, o pressentido segredo das coisas. e é na morte de um poeta que se principia a ver que o mundo é eterno."

     

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