as crónicas da pulga

31.1.05

mil e duas

e ela tentava, mais uma vez. arranjava 1002 desculpas para não desencadear o pior dos momentos. mais uma vez se esquecia de toda a angústia. ansiedade. alienação. mais uma vez se esquecia de si. e mais uma vez... sorria.
e ele sorria. mais uma vez prometia. sim, sim, sim. mais uma vez se fazia acreditar. querer. desejar. mais uma vez se esquecia. e mais uma vez... dormia.
e ela acordava. cantava. dançava. mais uma vez sentia... um aperto, um contínuo torcer do coração. e caía, mais uma vez, redonda no chão. agarrava-se ao peito e parecia que tudo ía saltar mais uma vez. e tudo realmente saltava. toda ela se diluia num pranto, mais uma vez. e mais uma vez... monologava.
e ele comia... as suas palavras. engolia-as e defecava-as mais uma vez, num acto aparente de terna degustação.
e ela degustava-se. mais uma vez tentava acreditar. e acreditava.
e ele não. ele nada. 1002 vezes nada.
e ela tudo. não. e não mais tudo: mais nada!!

4 Comments:

  • At 1:11 a.m., Blogger blobberblogger said…

    desculpa a honestidade mas tens o melhor blog k conheço. 1002 vezes melhor k 1002 blogs todos juntos.
    1002 beijinhos

     
  • At 2:53 p.m., Blogger éme said…

    foste inspirado por algum apêlo à genuinidade?

     
  • At 11:53 p.m., Blogger blobberblogger said…

    nao inspirado: assaltado. devassado.
    daí pedir desculpa pela honestidade, de facto, n parece coisa minha!
    Não me envergonho, no entanto.
    reitero!

     
  • At 11:48 a.m., Blogger éme said…

    eu diria que estavas num estado "não-pimbo"-impulsivo.
    e talvez em semi-pimbo-impulsividade, digo que fiquei feliz.


    (isto soou a genuíno?)

     

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