as crónicas da pulga

1.9.05

meurseault

saí de casa e procurei um café. o ideal seria ter uma máquina, mas não tinha. então, aproximei-me, no balcão, da zona mais próxima da prateleira que os segurava. estudei-os.
é um português suave... (sim, porque é português) dos azuis (também há em vermelho - qual será o que faz menos mal?), se faz favor (meu deus! - eu nunca digo meu deus - parece que estou a escolher um gelado!).
"é um português suave... dos azuis, se faz favor."
sentei-me no puf e fumei dois cigarros. mas não sei se os fumei. no fim, o ar era quente.
toquei duas músicas ao piano. depois, ficou-me aquele sabor de cheiro de cinzeiros entranhado na garganta, na ponta dos dedos e na luz do candeeiro.
acendi um incenso. lavei as mãos. e comi duas colheres de queijo fresco para barrar.

1 Comments:

  • At 5:56 p.m., Blogger éme said…

    "hoje, a mãe morreu. ou talvez ontem, não sei bem. (...)
    tive então vontade de fumar. mas hesitei, porque não sabia se o podia fazer diante da mãe. pensei, e concluí que isso não tinha importância nenhuma. ofereci um cigarro ao porteiro e fumámos os dois."

    "fui à rua comprar pão e pastéis, cozinhei eu mesmo o que tinha em casa e comi de pé. quis fumar outro cigarro, mas o ar tinha refrescado e eu estava com um pouco de frio...
    pensei que passara mais um domingo, que a mãe já fora a enterrar, que ia regressar ao meu trabalho, e que, no fim de contas, continuava tudo na mesma."

    "comi muito depressa e tomei um café. dpois voltei para casa, dormi um bocado, porque bebera vinho demais e, ao acordar, tive vontade de fumar."

    excertos de O Estrangeiro, de Camus

     

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